sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pesquisa Ibope - Ações no combate à crise e à corrupção favorecem Dilma, destaca Vaccarezza


Fonte: www.pt.org.br 

Segundo pesquisa Ibope, divulgada nesta sexta-feira (30), Dilma Rousseff tem 71% de aprovação.


O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que aprovação de Dilma Rousseff “aumenta a responsabilidade”, diz referindo-se aos programas de desenvolvimento implantados desde o governo Lula.
Vaccarezza credita o sucesso da presidenta pelas ações no sentido de combater a crise econômica internacional, e pela perseverança no combate a corrupção.
“Eu acho que a população está julgando o governo, os acertos que o governo está tendo no combate à crise econômica mundial, o desempenho do Brasil, e o desempenho da presidenta. Então eu vejo com naturalidade e acho que isso aumenta a nossa responsabilidade. E o que favoreceu foi a forma equilibrada com que a presidenta encarou”.
A forma equilibrada como Dilma trata das questões emblemáticas do governo também ajudaram em sua ascensão na pesquisa.
“A sociedade esta vendo que o governo age em todas as questões de forma equilibrada sem pirotecnia, sem exageros e procurando aquilo que é o melhor para o país, e não fazer coisas para aparecer, então isso fortalece a imagem da presidenta como uma pessoa equilibrada”.
(Apolos Neto e Ricardo Weg – Portal do PT)

RádioPT - Cândido Vaccarezza comenta pesquisa Ibope

by ptbrasil

Pesquisa Ibope - Ações no combate à crise e à corrupção favorecem Dilma, destaca Vaccarezza Segundo pesquisa Ibope, divulgada nesta sexta-feira (30), Dilma Rousseff tem 71% de aprovação. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que aprovação de Dilma Rousseff “aumenta a responsabilidade”, diz referindo-se aos programas de desenvolvimento implantados desde o governo Lula. Vaccarezza credita o sucesso da presidenta pelas ações no sentido de combater a crise econômica internacional, e pela perseverança no combate a corrupção. “Eu acho que a população está julgando o governo, os acertos que o governo está tendo no combate à crise econômica mundial, o desempenho do Brasil, e o desempenho da presidenta. Então eu vejo com naturalidade e acho que isso aumenta a nossa responsabilidade. E o que favoreceu foi a forma equilibrada com que a presidenta encarou”. A forma equilibrada como Dilma trata das questões emblemáticas do governo também ajudaram em sua ascensão na pesquisa. “A sociedade esta vendo que o governo age em todas as questões de forma equilibrada sem pirotecnia, sem exageros e procurando aquilo que é o melhor para o país, e não fazer coisas para aparecer, então isso fortalece a imagem da presidenta como uma pessoa equilibrada”. (Apolos Neto e Ricardo Weg – Portal do PT)
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Visita do Representante do Deputado Federal Paulo Teixeira em nosso Município.


Hoje tivemos em nossa sede Municipal um encontro com o assessor do Deputado Federal Paulo Teixeira o sr. Daniel Lopes Martin Almeida, dando apoio, em nome de nosso Deputado, ao desenvolvimento de nosso PT Municipal e principalmente de nossa Microrregião, mostrando e orientando qual o caminho que o PT deverá desenvolver nessa trajetória das eleições municipais de 2012.
Desde já o PT de Alumínio agradece o Dep. Paulo Teixeira  ao apoio que sempre tem dado ao nosso PT Municipal e Regional. 
Contamos com a presença dos Senhores Aloir de Paula, Orlando Amorim, Lúcio Bello, Alberto Rossi, Daniel Lopes,  Jadson Fernandez.




" Juntos Somos Fortes"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Brasil não é presa fácil para a crise", diz Dilma


Ao firmar, hoje (28/09), compromisso com governadores e prefeitos da Região Norte para a efetivação do Plano Brasil sem Miséria, a presidenta Dilma Rousseff disse que os programas e políticas sociais do governo também são ferramentas para enfrentar a crise financeira mundial. Dilma disse ainda que o Brasil não é "presa fácil" para a crise.
"Somos uma parte substantiva dessa grande defesa que é nosso mercado interno, é isso que faz com que esse país, quando cresce, quando investe, quando consome e faz polítia social, não seja presa fácil da crise internacional. Nos temos força para enfrentar essa crise porque fizemos política de distribuição de renda que melhorou nosso país". Segundo Dilma, o Brasil está mostrando que "crescer significa distribuir renda e distribuir renda significa crescer".
Em Manaus, a presidenta lançou o Plano Brasil sem Miséria e assinou com os governos dos sete estados da Região Norte e associações dos municípios termo de compromisso para enfrentar a miséria na região.
Também foi regulamentado o Bolsa Verde, que integra o plano e prevê o pagamento trimestral de R$ 300 para famílias extrativistas. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, a meta é atender a 18 mil famílias até o fim do ano e chegar a 75 mil famílias em 2014. Inicialmente o programa vai atender apenas à Amazônia Legal.
Ainda foi estabelecido acordo com supermercados da região para que adquiram produtos dos agricultores familiares.
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) apontam que 17% do público alvo do Plano Brasil sem Miséria está na Região Norte. A maioria da população pobre da região (56%) está na área rural. Lançado em junho deste ano, o plano tem a meta de retirar da extrema pobreza 16,2 milhões de pessoas.
A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo, disse que o combate à miséria na Região Norte tem como agravante o fato de a população estar mais dispersa.
Agência Brasil
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“A juventude precisa voltar a sonhar”, diz Lula a estudantes em Paris



Lula discursa no Instituto de Estudos Políticos em Paris (Foto: Ricardo Stuckert)

Ex-presidente recebeu o título de "doutor honoris causa" do Instituto de Estudos Políticos



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira (27) o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Estudos Políticos de Paris – conhecido como Sciences Po. O ex-presidente foi a 16ª personalidade – e a primeira latino-americana – que recebeu essa láurea desde a fundação da instituição, em 1871.
Notabilizada pela formação de líderes políticos, a Sciences Po tem entre seus ex-alunos os ex-presidentes franceses Jacques Chirac e François Mitterrand, além do príncipe Rainier III de Mônaco, do ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali e do escritor Marcel Proust.
O diploma foi entregue em Paris por Jean-Claude Casanova, membro do Instituto da França e presidente da Fundação Nacional das Ciências Políticas, que elogiou o governo Lula citando ascensão de milhões de brasileiros à classe média, a integração Sul-Sul e a diminuição da desigualdade social.
Em seu discurso de agradecimento, Lula ressaltou que os avanços conquistados foram fruto do exercício da democracia. “Estabelecemos uma nova relação do Estado com a sociedade, na qual todos os setores sociais foram ouvidos, mobilizados, e puderam discutir não somente com o governo, mas também entre eles próprios”, afirmou. “Para tanto, realizamos 74 conferências nacionais entre 2003 e 2010, precedidas por reuniões em níveis municipal e estadual, que contaram com a presença de cerca de 5 milhões de pessoas.”
O ex-presidente citou também a criação de 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias durante o seu governo. “Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive.”
Ao final da cerimônia, estudantes da plateia cantaram a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré.
Compareceram ao evento o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos e José Dirceu, os diretores do Instituto Lula Luiz Dulci e Clara Ant, o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, além do ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates.
Este é o sétimo título de Doutor Honoris Causa recebido por Lula, e o segundo fora do Brasil. Muitos doutoramentos foram aprovados antes ou durante os mandatos do ex-presidente, mas Lula optou por recebê-los quando deixasse o governo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

No Brasil, otimismo, enquanto na Europa...


Publicado em 27-Set-2011


As famílias paulistanas estão otimistas. Condições favoráveis de emprego e renda e expectativas positivas para a economia no fim do ano estão na base desse sentimento. É o que se deduz do levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FECOMÉRCIO-SP) sobre a Intenção de Consumo das Famílias (ICF). O índice de propensão a compras – um dos fatores que denotam a confiança do brasileiro na economia - cresceu pelo 4º mês consecutivo.

O indicador registrou alta de 0,6% em setembro, em relação a agosto, chegou a 140,1 pontos em uma escala de 0 a 200 pontos e demonstra otimismo acima dos 100. De acordo com a FECOMÉRCIO-SP, 70% dos paulistanos estão satisfeitos com suas condições econômicas e outro indicador, que revela esta satisfação, está próximo do valor recorde de 141,6 pontos obtido em janeiro.

Resumo da ópera: no Brasil há otimismo e propensão ao consumo, enquanto no resto do mundo o que assistimos é pessimismo, fuga dos consumidores, pagando dívidas ou poupando. O mesmo se repete quanto à criação de empregos: Brasil ao lado da Alemanha e Indonésia se destacam pelo crescimento do emprego. Já, Argentina, Austrália e Rússia, não. Pior ainda é a situação na União Europeia , em particular na Espanha, onde o desemprego já atingiu 20% da força de trabalho.

Sinal dos tempos
A Europa precisa criar 20 milhões de empregos!, que perdeu desde 2008. Em comparação, por aqui criamos nos últimos 9 anos praticamente os mesmos 20 milhões de empregos! O resultado do desastre europeu na política é contraditório. Socialistas no poder perdem eleições em Portugal e na Espanha. Na Grã Bretanha, os trabalhistas já a haviam perdido. Na França, Dinamarca e Itália vencem os socialistas, os verdes e os progressistas. É uma indicação de que o cidadão está punindo os governos de plantão, que não souberam lidar com a crise - sejam eles de direita ou de esquerda. Um sinal dos tempos. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Hora de determinação e ousadia





Vivemos dias turbulentos. A crise financeira de 2008 não acabou, especialmente nas economias avançadas. Com o crescimento ainda fraco, estes países tem adotado políticas monetárias extremamente expansivas, em vez de buscar um maior equilíbrio entre estímulos fiscais e monetários. As economias emergentes têm sustentado o ritmo de crescimento, mas não podem assumir o papel de motores globais sem ajuda.

Economias que emitem moeda estão gerenciando a liquidez internacional sem considerar o bem coletivo. Estão recorrendo a taxas de câmbio subvalorizadas para garantir sua fatia dos mercados globais. Esta onda de desvalorizações unilaterais cria um círculo vicioso que leva ao protecionismo no comércio e nas taxas de câmbio. Isso tem efeitos devastadores para todos, mas especialmente para os países em desenvolvimento.

O grande desafio para os próximos anos é tratar da dívida soberana e dos desequilíbrios fiscais em alguns países, sem parar — ou reverter — a recuperação global.

Só o crescimento econômico, baseado em distribuição de renda e inclusão social, pode gerar os recursos para pagar a dívida pública e cortar déficits. A experiência da América Latina nas últimas décadas mostra quanto a recessão traz em perda de produção, aumento das desigualdades sociais e desemprego.

Se pretendem superar a crise, as maiores economias do mundo deveriam dar sinais claros de coesão política e coordenação macroeconômica. Não haverá recuperação de confiança ou crescimento sem maior coordenação entre os países do G-20. É vital — para a Europa em particular — que se recupere o espírito de cooperação e solidariedade demonstrado no ápice da crise.

É por isso que o Brasil apoia o Quadro para Crescimento Forte, Sustentável e Equilibrado do G-20, que precisa ser gerenciado por todos e para todos, sem exceção.

Outras iniciativas são necessárias no campo internacional: maior regulamentação do sistema financeiro, para minimizar a possibilidade de novas crises; redução dos níveis de alavancagem. Precisamos avançar com as reformas das instituições financeiras multilaterais, aumentando a participação dos países emergentes que agora têm a responsabilidade primária pelo crescimento econômico global.

É urgente combater o protecionismo e todas as formas de manipulação das moedas, que promovem competitividade espúria às custas de parceiros comerciais. O G-20 pode oferecer uma resposta coordenada, na qual as grandes economias ajustem políticas fiscais, monetárias e/ou de câmbio, sem medo de atuar isoladamente. Um sistema aberto de comércio global requer a sensação de confiança mútua.

Enquanto isso, ameaçados pela entrada de capital largamente especulativo e pela rápida e insustentável apreciação de suas moedas, os países em desenvolvimento que adotam taxa de câmbio flutuante, como o Brasil, são forçados a adotar medidas prudenciais para proteger suas economias e suas moedas nacionais. Não vamos sucumbir a pressões inflacionárias vindas de fora. Com firmeza e serenidade vamos manter a inflação sob controle, sem abrir mão do crescimento econômico, que é essencial se vamos promover a inclusão social. Nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e a estabilidade dos preços não é negociável e a sintonia de nossa política econômica sempre vai trabalhar com este objetivo.

Quanto às políticas de longo prazo, o Brasil reconquistou a capacidade de planejamento em campos como a energia, o transporte, o setor habitacional e o saneamento, ao redefinir o papel do estado no desenvolvimento da infraestrutura social.

A descoberta de grandes reservas de petróleo em águas profundas vai abrir um novo ciclo de industrialização, especialmente nos setores naval, petroquímico e de bens de capital; também vai permitir ao Brasil criar um fundo especial para investir em políticas sociais, científicas, tecnológicas e culturais.

O país fortaleceu as empresas estatais como a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos para induzir o desenvolvimento. Através de mecanismos de defesa comercial, apoiados nas regras da Organização Mundial do Comércio, o Brasil não vai permitir que sua indústria seja ameaçada pela competição injusta.

O Brasil também tem compromisso com a luta contra o desmatamento, especialmente na Amazônia; com a promoção da agricultura sustentável; com o fortalecimento de uma matriz energética variada. Estou convencida da necessidade de consolidar estas conquistas, assim como estou certa de que temos responsabilidade pelo reequilíbrio da economia mundial. É hora de os líderes globais agirem com determinação e ousadia. É isso o que o mundo espera de nós.


*Dilma Rousseff é presidenta da República (texto publicado originalmente no jornal inglês Financial Times)

Dilma participa de reuniões econômicas na Europa e abre o 23º Europalia


Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Depois de passar a última semana em Nova York, na Assembleia Geral das Nações Unidas, a presidenta Dilma Rousseff se prepara para ir à Bélgica nos próximos dias. Ela participa das reuniões da União Europeia e do Mercosul e abre o 23º Europalia – o maior festival de cultura da Europa, no qual o Brasil será o homenageado este ano. Até o fim de outubro há ainda viagens programadas para a Bulgária, a Turquia e a África do Sul.
Nos próximos dias 3 e 4, Dilma participa de discussões sobre os impactos da crise econômica mundial nas relações entre a União Europeia e o Mercosul. A presidenta aproveita ainda o fato de estar em Bruxelas, na Bélgica, para abrir o Europalia, que põe em destaque a produção cultural brasileira.
Por mais de cem dias, a cultura brasileira estará na Bélgica, em Luxemburgo, na França, na Alemanha e na Holanda. No total, serão 130 shows, 60 apresentações de dança e 40 de teatro, 20 exposições de artes visuais e 80 conferências literárias. O festival é realizado entre os meses de outubro de 2011 e janeiro de 2012.

Da Bélgica, a presidenta seguirá para a Bulgária. Dilma irá à capital Sófia, em visita oficial, e depois visitará a cidade de Gabrovo, onde nasceu Pedro Rousseff, o pai dela. A visita é considerada um dos momentos mais emocionantes da viagem. Dilma é considerada pelos búlgaros uma deles por causa de suas origens. Parte da família paterna dela ainda vive na Bulgária.
No próximo dia 7, a presidenta desembarca na Turquia. Em Istambul, Dilma tem encontros com o presidente e o primeiro-ministro turcos. No cenário político internacional, a Turquia representa hoje um dos principais interlocutores nas negociações em busca de soluções para os impasses no Oriente Médio e no Norte da África. A viagem de Dilma deve se estender até o dia 9.
Depois da Turquia, Dilma retorna para o Brasil. Nos próximos dias 18 e 19, ela segue para a África do Sul. Em Durban, a presidenta participa da 5ª Cúpula do Ibas – grupo que reúne a Índia, o Brasil e a África do Sul. Há a expectativa de a presidenta estender a visita a mais dois países da África – Moçambique e Angola, de língua portuguesa.
Em novembro, Dilma se prepara para as reuniões de cúpula do G20 (o grupo que reúne as maiores economias do mundo), em Cannes, na França. Em dezembro, Dilma pretende visitar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se recupera de um câncer. Na ocasião, estão previstas reuniões da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Da Agência O Globo

sábado, 24 de setembro de 2011

A democracia interna do PT


O Partido dos Trabalhadores influenciou positivamente a sociedade brasileira desde a sua fundação. Lembro-me de comentários que duvidavam da capacidade de Lula fazer uma boa gestão como presidente da república. Acostumados a administrações das elites, boa parte da população não via a possibilidade de que um operário pudesse administrar com êxito um país de dimensões continentais como o Brasil.

Talvez o maior mérito do PT tenha sido a vitória sobre esse tipo de preconceito. Hoje, depois de dois mandatos exitosos do presidente Lula, não há quem duvide da possibilidade de que outro trabalhador venha a ser eleito e que governe bem o país. As duas vitórias eleitorais de Lula representaram um sentimento partilhado por milhões de trabalhadores de todo o país que, na pessoa do presidente operário, sentiram-se pessoalmente subindo a rampa do Palácio do Planalto.

O êxito dos dois mandatos de Lula se deve também ao acerto das políticas públicas de inclusão social. Outra vitória importante do PT é o crescimento da consciência de que a miséria precisa ser superada por políticas públicas capazes de tirar da miséria milhões de pessoas que ainda vivem em condições sub-humanas.

Influenciamos a sociedade em vários outros setores. O preconceito contra os operários foi superado e cresceu a consciência de que a miséria precisa ser superada. O país respira uma atmosfera de liberdade e de generosidade em grande medida influenciada pelas ações de governo.

Do mesmo modo que influenciamos a sociedade também fomos influenciados por ela. Desgraçadamente a política tradicional ainda está introjectada nas pessoas de tal maneira que mudanças aparentemente simples no sistema de disputas eleitorais, como o voto em lista e o financiamento público das campanhas, são difíceis de serem assimilados mesmo por petistas militantes.
Nossas disputas internas também sofrem a influência da política tradicional. Desde 2001 escolhemos nossos dirigentes pelo voto direto dos filiados e filiadas. Os momentos de votação são festas democráticas das quais nos acostumanos a participar e das quais temos orgulho.

Alguns métodos e comportamentos, no entanto, são semelhantes aos utilizados por políticos tradicionais. A diferença é que, para o PT e seus militantes, a democracia interna é prática cotidiana e esses métodos utilizados nas disputas internas acabam se perdendo no tempo, substituídos por práticas democráticas no cotidiano dos debates entre filiados e filiadas que se enfrentaram em momentos de disputa.

Neste final de semana os filiados e filiadas de 87 municípios do estado de São Paulo foram às urnas para escolher seus novos dirigentes municipais. As disputas foram acirradas e, em alguns casos, a eleição dos novos presidentes só vai ser decidida no segundo turno. Pessoalmente estive em Praia Grande, no litoral, onde participei da campanha da chapa "Unidos e fortes" e do candidato a presidente "Emerson Camargo". O resultado não foi favorável nem à minha chapa nem ao meu candidato a presidente.

Alguns métodos e comportamentos condenáveis foram verificados. Nada, entretanto, que permaneça no tempo o suficiente para atrapalhar a vida cotidiana do PT. A democracia interna que praticamos ainda é mais forte do que os comportamentos e métodos condenáveis dos momentos eleitorais. Os debates que vão definir a tática eleitoral do PT para a disputa da prefeitura de Praia Grande em 2012 e a organização das demandas populares do município devem ocupar a agenda das reuniões dos próximos meses. A democracia, ainda que permeada pela influência da política tradicional, venceu e, no interior do PT, vai vencer sempre.

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José Claudio de Paula é jornalista e membro da Comissão de Ética do PT-SP

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ELEIÇÕES 2012



Prazos importantes para a filiação de possíveis candidatos às eleições de 2012.

As Comissões Executivas Municipais deverão, até o dia 7 de outubro de 2011, deliberar sobre os pedidos de filiação dos possíveis candidatos a cargo eletivo nas eleições de 2012.
Os usuários do Sisfil deverão incluir as filiações aprovadas no Cadastro Nacional de Filiados e manter arquivada a ata da reunião e os formulários de filiação devidamente assinados. Lembrando que somente os municípios que ainda não fizeram a adesão ao Sisfil precisam encaminhar a documentação pelo correio.
Depois que a filiação é aprovada e incluída no CNF, é preciso informá-la à justiça eleitoral. O TSE informou ontem o Cronograma para tratamento dos dados sobre filiação partidária através do FiliaWeb.
ü     As relações de filiados precisam ser submetidas, através do FiliaWeb, até14/10/2011
ü     O TSE, entre os dias 15 e 19 de outubro, fará a análise e identificará as eventuais duplicidades de filiação.
ü     No dia 19 de outubro serão divulgadas as relações oficiais de filiados e terá inicio o prazo para resposta nos processos de dupla filiação. Os diretórios serão notificados, através do FiliaWEB, sobre relação de filiados envolvidos em duplicidade
ü     As respostas sobre os processos de dupla filiação deverão ser protocoladas nos cartórios eleitorais até o dia 7 de novembro.
ü     Os juízes eleitorais se manifestarão sobre estes processos até o dia 17 de novembro. E a data limite para o registro das decisões no sistema é até o dia 28 de novembro.
Nos casos em que o diretório não submeter uma nova relação de filiados à justiça eleitoral, apenas os filiados constantes na última relação entregue poderão se candidatar.
Em caso de dúvida na operação do FiliaWeb você pode consultar o manual do sistema no site do TSE.



Paulo Frateschi
Secretário Nacional de Organização
22/set/2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O MUNDO NUNCA MAIS SERÁ O MESMO DEPOIS DE DILMA ROUSSEFF

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.

Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.
Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.

Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.

Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e  que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.

Senhor Presidente,
Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.

Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.

Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.

Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.

Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.

Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.

Muito obrigada.

Por Dilma Rousseff

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Partido dos Trabalhadores: sucesso eleitoral e transformações ideológicas



Renato Godoy de Toledo
da Redação

Presidente do PT, Ruy Falcão, discursa durante
4º Congresso da legenda - Fotos: PT na Câmara
O historiador Lincoln Secco, da Universidade de São Paulo (USP), registra em estilo ensaístico a história do Partido dos Trabalhadores. Ele é o primeiro intelectual brasileiro a se deparar com o desafio de contar a história da maior agremiação de esquerda do Brasil.
Em História do PT (Ateliê Editorial, 320 pág.), o autor aponta que o partido tem uma trajetória de sucesso eleitoral em comparação com partidos de esquerda europeus, que demoraram mais de 40 anos para chegar ao governo.  No entanto, esse êxito eleitoral não foi alcançado sem profundas mudanças na estrutura partidária e no posicionamento ideológico da legenda. A composição do partido, aliás, organizado em tendências, é uma das novidades que o partido trouxe para a política brasileira e para a esquerda mundial.
Tal como o formato estatutário diferente, também é peculiar a origem dos militantes que compuseram o partido naquele momento em que o regime militar demonstrava sinais de esgotamento. Secco aponta seis principais grupos que formaram o partido: o Novo Sindicalismo, forjado nas greves do ABC; os movimentos sociais organizados junto à Igreja Católica; políticos já estabelecidos no MDB que viriam a aderir à legenda; intelectuais de esquerda; organizações trotskistas diversas; e, por fim, militantes oriundos da luta armada contra a ditadura.
Essa configuração de um modelo plural é fundamental, para Secco, na análise dos rumos que o partido trilhou. Confira abaixo entrevista com o historiador:
Brasil de Fato – A configuração atual do PT pode ser compreendida pela vitória da realpolitik implementada pelo Novo Sindicalismo sobre agrupamentos trotskistas e os intelectuais (que aos poucos até deixaram a legenda)?
Lincoln Secco – Alguns intelectuais e militantes históricos, mais “ideológicos”, deixaram o PT. Mas, curiosamente, muitos o fizeram por causa de uma exigência ética. Eu não afirmaria que o Novo Sindicalismo derrotou as correntes marxistas simplesmente. Houve o que os italianos chamavam de transformismo. Vários quadros das correntes pragmáticas vieram do marxismo e assumiram ministérios e governos estaduais enquanto a maioria das lideranças sindicais se apagou no passado ou se contentou com cargos de segundo escalão no governo Lula. Como explico no livro, muitos trabalhadores manuais deixaram de ascender por causa de sua origem social, embora tal explicação nos incomode. Lula, na verdade, é uma das exceções. Afinal, até onde foram os líderes metalúrgicos do ABC? O pragmatismo do sindicato pode ter vencido, mas ao custo de largar os sindicalistas pelo caminho e encontrar porta-vozes mais aceitáveis em intelectuais e sindicalistas de classe média.
Como se deu esse processo de “aggiornamento total” do partido que, em sua opinião, ocorreu em 2002? De que maneira este processo foi fundamental para o PT deixar de ser uma mera possibilidade para tornar-se uma alternativa concreta para governar o país?
Desde a derrota do Lula em 1989, começou uma operação delicada: por um lado, a moderação do discurso, as alianças e o programa. Mas isso tinha forte oposição interna no PT. A partir de 1995, começou uma centralização maior da vida interna. Eu acredito que algumas correntes foram se distanciando do PT já antes de 2002, porque se tornou difícil para a esquerda partidária sobreviver desde que o partido implantou o PED (Processo de Eleições Diretas). O PT trouxe para dentro de si um mecanismo eleitoral em que os mandatos dotados de mais recursos passaram a arregimentar eleitores na base. Por outro lado, um partido mais unificado se tornou confiável para chegar ao poder e era disso que Lula precisava.
Mudanças no partido foram fundamentais para conduzir Lula à presidência
Você aponta que o PT, desde os primórdios, apresentava uma dependência, sobretudo financeira, dos poucos mandatos que tinha. Na sua opinião, quando – se de fato houve isso – o partido passou a se organizar mais em torno de mandatos do que de tendências?
Os parlamentares mais votados logo tentavam se impor. Tanto é assim que em 1993 a Direção Nacional tentou disciplinar os mandatos de deputados federais. Mas há um momento em que o PT se torna um partido de mandatos, embora as tendências continuem existindo. Esse processo acontece ao longo dos anos 1990. O caso de São Paulo é interessante. Na capital, a corrente majoritária rachou em vários pedaços. Cada um dominado por um “capa preta”, como se diz no jargão. Veja que na cidade de São Paulo a CNB (Construindo um Novo Brasil) não é majoritária hoje.
Desde o mote “partido sem patrão”, nos primórdios da legenda, o PT veio notabilizando-se mais, a partir dos anos 1990, por mandatos que combatiam exemplarmente a corrupção e prefeituras com “o modo petista de governar”. Em 2005, há a crise, que acarreta no que você chama de “fim de parte do simbolismo do partido”. Hoje, o que o diferencia dos demais?
Sem dúvida nenhuma, a sua história. O PT está totalmente integrado à ordem, mas por muito tempo ainda será um partido diferente. Olhe a composição social das bancadas do PT e dos demais partidos. O PT tem mais sindicalistas, mais gente de origem nas classes baixas. Olhe para o mapa eleitoral do Brasil em 2006 e 2010 e, se preferir, analise o mapa eleitoral da cidade de São Paulo desde 1988.

O PT nunca teve um único princípio como seu motivo de existência. Ele é simplesmente o partido que tem o apoio da classe trabalhadora, o que não significa dizer que sua política represente os interesses últimos dela. Aí é uma outra discussão, de natureza programática.
O direito a conformar tendências, presente já na fundação do partido, é apontado como uma das principais novidades da legenda e da esquerda mundial. Com o status de maior partido do Brasil, a configuração de um partido de tendências internas passou a ser apenas simbólica? Um exemplo atual disso seria a articulação que Lula (teoricamente membro do campo Construindo um Novo Brasil) faz para emplacar Fernando Haddad (do grupo Mensagem ao Partido) como candidato a prefeito de São Paulo...
As tendências continuam por aí. Mas hoje o PT é dominado por “campos”, em que a relação entre militantes é menos disciplinada, menos orgânica. Na verdade, o campo é uma frente de tendências. Mas é cedo para analisar o exemplo que você cita. Lula impôs o nome da Dilma porque os quadros dirigentes históricos do PT foram destruídos pelo escândalo do mensalão. Recentemente, ele tentou impor um presidente para o PT em substituição ao José Eduardo Dutra. Mas o PT preferiu Rui Falcão. Em São Paulo, pode ser que haja prévias, o que Lula nunca quis.
O cientista político André Singer afirma que a preferência da população pelo PT, conquistada ao longo dos anos, não foi revertida em apoio às causas de esquerda. E também aponta que cabe ao PT, como agremiação de esquerda, politizar a chamada nova classe média, que apresenta posições conservadoras. O senhor partilha dessa opinião?
A ampliação de uma nova classe trabalhadora remediada não se fez necessariamente acompanhar de valores políticos de esquerda. Eu concordo com isso. O governo Lula promoveu a integração de milhões de pessoas ao mercado de consumo. Além disso, a integração ao mercado de trabalho se deu em empregos de baixo salário e alta rotatividade. É inegável que o governo petista não representou uma mudança qualitativa no Estado Brasileiro, mas também é verdade que deu um salto quantitativo no atendimento às carências da população.
Como organizar uma base social não integrada à produção? Como criar formas organizadas para o lulismo? Tudo isso é difícil. Mas cabe lembrar que a relação do povo com Lula não é passiva. Os mais pobres conduziram Lula e não o contrário. Lula simplesmente lhes devolveu o apoio com conquistas sociais limitadas pelo horizonte da conciliação de classes porque no Brasil ninguém quer um confronto. É a nossa história desde a independência política, que foi uma negociação. Mas a história continua e pode chegar o momento em que o lulismo será um leito muito estreito para acomodar interesses tão contraditórios.
O papel da militância, inicialmente primordial para a formação do partido, foi perdendo espaço. A quais fatores você atribui essa constatação?
O PT não é mais um partido de militantes voluntários como era antes por várias razões que eu discuto no meu livro. Mas compare qualquer partido de esquerda hoje com o PT! O PT coloca em movimento milhares de filiados. O último processo preparatório de encontros de macrorregiões do estado de São Paulo mobilizou 10 mil militantes. E os delegados eleitos contrariaram a direção estadual no encontro realizado em Sumaré (SP). Claro que isso não é mais comum. O que eu quero dizer é que o problema não está só no PT, embora nele seja mais visível porque é um partido de massas. A pergunta que deve orientar a esquerda é: quem quer militar num partido hoje? Será que as mudanças oriundas da Terceira Revolução Industrial, que afetaram o cotidiano, não transformaram também a militância? Eu não tenho a resposta. Mas, ao mesmo tempo, as ruas e praças estão cheias na Espanha, Grécia e no Chile. E onde estão os partidos revolucionários?

<QUEM É>
Lincoln Secco é professor de história contemporânea da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Caio Prado Júnior: o sentido da Revolução e A Revolução dos Cravos.
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